'I Believe in Miracles' é uma música dos Ramones de Brain Drain (1989), o penúltimo álbum de estúdio que os Ramones lançaram antes da morte de Joey Ramone em 2001. A música foi co-escrita por Joey Ramone e Daniel Rey, e foi o primeiro single do álbum. O Pearl Jam fazia o cover ocasionalmente nos anos 1990 mas começou a tocar com mais frequência depois da morte de Joey Ramone por linfoma em abril de 2001, como tributo. A leitura do Pearl Jam é mais rápida que o original dos Ramones e está mais próxima do tempo ao vivo dos Ramones que da gravação de estúdio.
A conexão do Pearl Jam com os Ramones é direta e consequente. O Pearl Jam foi induzido ao Rock and Roll Hall of Fame em 2017; os Ramones foram induzidos em 2002. Eddie Vedder fez o discurso de indução pra os Ramones na cerimônia de 2002, em 4 de abril daquele ano, menos de um ano depois da morte de Joey Ramone. O discurso é uma das peças mais citadas da fala pública de Vedder: ele enquadrou os Ramones como a banda que ensinou a sua geração que punk podia ser feito de amor em vez de cinismo. 'I Believe in Miracles' é, nesse enquadramento, a música mais pró-amor do catálogo dos Ramones, e a escolha do Pearl Jam de fazer cover dela é portanto uma extensão do discurso.
A letra é descomplicada do jeito característico dos Ramones: uma declaração direta em primeira pessoa de crença na possibilidade de coisas boas, apesar das circunstâncias. Joey Ramone escreveu boa parte do material tardio nesse registro; Brain Drain é cheio de declarações similarmente diretas. O que Vedder faz com a música em apresentações do Pearl Jam é abraçar a sinceridade dela em vez de subverter. A música é tocada no sério, o que é incomum pra um cover punk feito por uma banda da escala do Pearl Jam.
Musicalmente, o arranjo do Pearl Jam preserva a velocidade de três acordes dos Ramones mas adiciona uma linha de baixo mais cheia (Jeff Ament, que é um dos baixistas mais ativos do rock alternativo dos anos 90, se recusa a tocar a parte econômica do original) e um solo de guitarra de McCready onde o original dos Ramones não tem nenhum. O arranjo é, portanto, um híbrido: estrutura de música dos Ramones com expansão Pearl Jam. A transformação é pequena mas inconfundível pra qualquer um que conhece o original.
Cover de Ramones (1989). Vedder gravou pra album tributo. 'I believe in miracles 'cause I'm one' é a tese central. O narrador acredita em milagres porque ele próprio é um. 'Acredito em milagres porque sou um' preserva a circularidade. 'Tattoo your name on my arm' é gesto romântico punk. 'Tatua teu nome no meu braço' devolve o amor declarado em tinta corporal.
Em 2 de dezembro de 2005 no Estádio do Pacaembu, 'I Believe in Miracles' chegou no slot 20 do show como o primeiro tributo aos Ramones do bis da noite, à frente de 'Don't Gimme No Lip' dois slots depois. A camada de tributo a Joey Ramone que a canção carrega desde 2001 se assentou sobre a apresentação no Pacaembu: toda execução pós-2001 opera como gesto memorial, e o público da South American Tour 2005 estava ouvindo o cover quatro anos dentro desse período de tributo. A colocação depois de 'Man of the Hour' converteu a intimidade de abertura do bis em movimento renovado pra frente pelo tempo de vocabulário punk que o original dos Ramones estabelece. A função de andamento do slot era começar a escalada de energia do bis sem alcançar os picos posteriores do bis; 'Don't Gimme No Lip' e 'Rearviewmirror' cuidariam disso.
Em 3 de novembro de 2011 no Estádio do Morumbi, 'I Believe in Miracles' chegou no slot 21 do show como o tributo a Joey Ramone que a banda vinha carregando desde 2001. Em 2011, a canção já estava na rotação de tributo da banda havia uma década inteira, e toda execução pós-2001 opera como gesto memorial; o público do Morumbi estava ouvindo o cover dez anos dentro desse período de tributo. A colocação depois de 'Come Back' converteu o peso emocional do show de volta em movimento propulsor pelo tempo de vocabulário punk que o original dos Ramones estabelece. A função de andamento do slot era começar a escalada de energia pré-bis do show antes dos fechadores de hino do set principal.
Em 6 de novembro de 2011 na Praça da Apoteose, 'I Believe in Miracles' chegou no slot 20 do show como o tributo a Joey Ramone que a banda vinha carregando desde 2001. A colocação da canção depois de 'Come Back' converteu o peso emocional do show de volta em movimento propulsor pelo tempo de vocabulário punk que o original dos Ramones estabelece. Em 2011, a canção já estava na rotação de tributo da banda havia uma década, e toda execução pós-2001 opera como gesto memorial. O público do Rio estava ouvindo o cover dez anos dentro desse período de tributo.
Em 31 de março de 2013 no Jockey Club, 'I Believe in Miracles' chegou no slot 23 do show como o tributo a Joey Ramone que a banda vinha carregando desde 2001. Em 2013, a canção já estava na rotação de tributo da banda havia doze anos; toda execução pós-2001 opera como gesto memorial.
Em 3 de abril de 2013 no Costanera Sur, 'I Believe in Miracles' chegou no slot 22 do show como o tributo a Joey Ramone que a banda vinha carregando desde 2001. O público de Buenos Aires estava ouvindo o cover doze anos dentro do período de tributo.
Em 6 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'I Believe in Miracles' chegou no slot 29 do show como o tributo a Joey Ramone, aqui em arranjo solo-acústico. Os 13 anos de período de tributo desde a morte de Ramone em 2001 deram ao slot peso memorial continuado.
Em 11 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'I Believe in Miracles' chegou no slot 18 do show como o tributo a Joey Ramone em arranjo solo-acústico.
Em 11 de novembro de 2011 no Estádio Beira-Rio, 'I Believe in Miracles' chegou no slot 22 do show como o tributo a Joey Ramone que a banda vinha carregando desde 2001. Em 2011, a canção já estava na rotação de tributo da banda havia uma década, e toda execução pós-2001 opera como gesto memorial. A função de andamento do slot era começar a escalada de energia em território de bis pelo tempo de vocabulário punk que o original dos Ramones estabelece.