'Comatose' é a terceira faixa de Pearl Jam (2006). A música é de Stone Gossard; a letra é de Vedder. A canção é uma das coisas mais curtas do álbum Avocado (menos de dois minutos e meio) e uma das mais agressivas. O verso é construído sobre um riff em andamento de thrash que não varia; o refrão libera a tensão do verso num grito sustentado em vez de uma elevação melódica. A canção é, portanto, o engajamento mais direto do álbum com o vocabulário de andamento punk que a banda tinha começado a reincorporar após Riot Act.
A letra é uma das letras mais diretas de Vedder sobre desligamento emocional. O narrador descreve um estado de entorpecimento interno, o formato de dissociação que chega durante crise prolongada quando o sistema se protege ficando no escuro. A canção não comenta sobre se esse estado é saudável ou insalubre; documenta a experiência e deixa a velocidade da música carregar o conteúdo emocional. Vedder discutiu a canção em entrevistas promocionais de 2006 como um estado que ele tinha visitado durante o período de Riot Act e sobre o qual estava escrevendo retrospectivamente.
O arranjo é uma das composições mais econômicas de Stone Gossard. A canção é estruturada para raiva sustentada em vez de liberação catártica; a música não permite alívio ao ouvinte, o que serve à postura da letra. A bateria de Matt Cameron na gravação está entre as mais agressivas do Avocado. O solo de McCready é curto, rápido e harmonicamente desestabilizador.
Música rápida de Stone Gossard, letra de Vedder. A canção é uma das peças mais existencialistas de Avocado, retrato de quem opta por permanecer suspenso ('hanging upside down') pela eternidade em vez de tomar partido. 'Comatoso' como estado escolhido, não imposto.
A decisão tradutória central foi 'Consider me an object. Put me in a vacuum'. O imperativo abre a música como pedido formal de despessoalização. 'Me considere um objeto. Me ponha no vácuo' preserva o registro frio. 'Free of all conditions, free of air and friction' usa terminologia da física, e 'Livre de todas as condições. Livre do ar e da fricção' devolve o vocabulário técnico sem traduzir excessivamente.
'Feel it rising, next stop falling' é jogo entre verbos opostos colados. 'Sinta subindo, próxima parada caindo' preserva a estrutura de aviso de bonde ou metrô ('next stop' = próxima parada), que é o gesto cotidiano que Vedder rouba pra metáfora existencial.
'I'll break the law, if it's illegal to be in love' é o verso mais romântico em uma música deliberadamente fria. A inversão (estar apaixonado pode ser ilegal) é hipérbole testamentária. 'Vou desobedecer a lei, se for ilegal estar apaixonado' preserva o desafio sem perder o tom.
'Leave the hatred on the cross' fecha a música com pedido de descarte do ódio na cruz cristã. 'Deixa o ódio na cruz' devolve a imagem de despejar peso emocional num símbolo religioso, sem fazer comentário teológico explícito.
Em 3 de novembro de 2011 no Estádio do Morumbi, 'Comatose' chegou no vigésimo terceiro slot do show como uma das peças mais comprimidas de agressão de Pearl Jam (2006) que a banda podia entregar. A faixa hardcore-adjacente de noventa segundos deu ao encore uma abertura de alta velocidade que contrastava estruturalmente com o material lento que tinha fechado o set principal. A bateria de Cameron na gravação de estúdio está entre as mais rápidas que a banda gravou, e o arranjo ao vivo preservou essa velocidade. A colocação no Morumbi, entre 'Alive' e 'Black', sugeriu que a banda quis usar a curva de energia do encore para resetar a sala antes do material em formato mais longo que 'Black' entregaria.
Em 31 de março de 2013 no Jockey Club, 'Comatose' chegou no quinto slot do show como uma das peças mais comprimidas de agressão de Pearl Jam (2006) que a banda podia entregar. A faixa hardcore-adjacente de noventa segundos deu ao slot um reset de alta velocidade que contrastava estruturalmente com o material mais espaçoso que a precedeu. A bateria de Cameron preservou a velocidade que a gravação de estúdio exige.
Em 14 de novembro de 2015 no Estádio do Morumbi, 'Comatose' chegou no vigésimo sétimo slot do show como uma das peças mais comprimidas de agressão de Pearl Jam (2006). A bateria de Cameron preservou a velocidade que a gravação de estúdio exige.
Em 22 de novembro de 2015 no Maracanã, 'Comatose' chegou no décimo sexto slot do show como uma das peças mais comprimidas de agressão de Pearl Jam (2006).
Em 11 de novembro de 2011 no Estádio Beira-Rio, 'Comatose' chegou no vigésimo slot do show como uma das peças mais comprimidas de agressão de Pearl Jam (2006) que a banda podia entregar. A faixa hardcore-adjacente de noventa segundos deu ao slot um reset de alta velocidade que contrastava estruturalmente com o material lento que a precedeu. A bateria de Cameron preservou a velocidade que a gravação de estúdio exige.