'Garden' é a nona faixa de Ten (1991). A música é creditada a Stone Gossard e Jeff Ament; a letra é de Vedder. A canção foi escrita e gravada durante as sessões de Ten no início de 1991, no período em que os Estados Unidos estavam conduzindo a Operation Desert Storm no Iraque e Kuwait. A letra é um dos engajamentos mais diretos do catálogo inicial do Pearl Jam com intervenção militar americana, enquadrada via imagem central de um 'jardim' de pedra, as fileiras de lápides militares em cemitérios nacionais que marcam o custo cumulativo de guerras estrangeiras.
A letra é uma das declarações anti-guerra mais pacientes de Vedder. O narrador não denuncia os soldados que lutam; o argumento da canção é estrutural em vez de pessoal, focado nos sistemas que produzem os cemitérios em vez das pessoas neles enterradas. Essa é uma preocupação de Vedder que recorre ao longo do catálogo (ela molda 'Bu$hleaguer' uma década depois, e 'Down' dois anos depois disso), e 'Garden' é a canção onde o argumento chega pela primeira vez em sua escrita.
O arranjo é uma das peças de construção mais lenta de Ten. O verso é construído sobre uma progressão de acordes que sobe pela ponte para um movimento harmônico mais amplo; o solo de McCready no centro da canção estende além do tamanho de estúdio na maioria das performances ao vivo. A bateria de Dave Krusen é contida em todo o trajeto, o que serve à postura da letra de observação em vez de confrontação.
Ao vivo, 'Garden' tem sido presença regular mas não pesada no setlist desde 1991. A canção funciona melhor na segunda metade de um set, onde seu peso pode aterrissar num público que foi emocionalmente preparado. A canção tornou-se mais frequente nos setlists durante o período da Guerra do Iraque (2003 em diante), quando o argumento específico da letra sobre intervenção militar americana se tornou atual de novo. Performances de 'Garden' frequentemente estendem a seção instrumental final além do tamanho de estúdio.
Uma das declarações anti-guerra mais pacientes do catálogo, escrita durante a Operação Tempestade no Deserto em 1991. O 'jardim de pedra' do título não é metáfora abstrata, é descrição literal: as fileiras de lápides em cemitérios militares americanos como Arlington, geometricamente alinhadas como canteiros de pedra. Vedder não denuncia o soldado, ele recusa a marcha. 'I won't be taken' é o eixo: não vou ser convocado, não vou ser capturado, não vou ser engolido pela máquina.
A tradução mais delicada está em 'with my face blood'. A elipse é proposital em inglês (face-blood, cara em sangue), e em português eu mantive 'com a cara em sangue' porque virar 'com o rosto ensanguentado' seria narrativa em vez de imagem. A diferença importa: imagem te paralisa, narrativa te explica.
'Shadow flag' é a segunda imagem central. A bandeira-sombra é o que sobra de uma identidade nacional que perdeu credibilidade: o vulto da bandeira sem a substância da pátria. Vedder cantando 'I will walk with my shadow flag' é o veterano que continua andando porque a marcha começou antes dele poder dizer não, mas que carrega só o resto fantasmal do que aquela bandeira já representou. Traduzir como 'minha bandeira-sombra' preserva a estranheza gramatical do composto.
O fim é uma negação em escada que se afia a cada repetição. As três primeiras camadas são preservação do que ele tem (privacidade, recursos, autonomia): 'eu não mostro, eu não divido, eu não preciso do que você tem pra dar'. A quarta, no final da música, é dispensa total: 'eu não sei, não me importa, eu não preciso de você pra eu viver'. O sujeito tácito do 'você' é o Estado, o exército, a guerra. Não preciso de vocês pra estar vivo.
Em 20 de novembro de 2015 no Mineirão, 'Garden' chegou no vigésimo nono slot do show como a faixa da era Ten cuja letra em camadas (frequentemente lida como reflexão sobre a impossibilidade de inocência num mundo violento) carregou seu peso acumulado ao longo de vinte e quatro anos de história ao vivo.
Em 21 de março de 2018 no Maracanã, 'Garden' chegou no décimo sexto slot do show como a faixa da era Ten. A aparição ao vivo relativamente rara deu ao slot uma surpresa de raridade.
Em 31 de agosto de 2024 no Wrigley Field, 'Garden' abriu o show como a faixa da era Ten, uma escolha de abridora incomum para a banda. A letra em camadas da canção de 1991 (uma reflexão sobre a impossibilidade de inocência num mundo violento) estabeleceu a arquitetura emocional da segunda noite de Wrigley como deliberadamente mais pesada do que a sequência de abertura mais lenta da noite 1.