'Immortality' é a décima primeira faixa de Vitalogy (1994), a penúltima canção do álbum antes da hidden track deliberadamente intragável 'Stupid Mop'. A música é de Vedder; a letra também é de Vedder. A canção foi gravada durante as sessões de Vitalogy no início de 1994 e foi finalizada no período imediatamente posterior à morte de Kurt Cobain em 5 de abril de 1994. Esse momento é parte do motivo pelo qual 'Immortality' se tornou, contra as próprias declarações da banda, uma das canções mais discutidas do catálogo do Pearl Jam: muitos fãs e críticos lêem a canção como uma elegia para Cobain.
Vedder negou consistentemente essa leitura. Disse em múltiplas entrevistas (mais diretamente no PJ20 e numa conversa de 1995 com a Rolling Stone) que 'Immortality' já estava escrita quando Cobain morreu, que a canção não é sobre nenhuma pessoa específica, e que a semelhança entre as preocupações da canção e a situação de Cobain é resultado dos dois homens trabalhando na mesma cultura sob as mesmas pressões, não resultado de um escrever sobre o outro. A negação é consistente ao longo das décadas; a banda não mudou de posição sobre a questão desde 1995.
A letra é, no enquadramento de Vedder, sobre o peso cumulativo da fama e o modo como esse peso empurra alguns músicos para a autodestruição sem o consentimento deles. A canção, portanto, não é sobre Cobain especificamente mas sobre as condições estruturais que produziram Cobain ao lado de muitas outras vítimas. Esse é um argumento mais interessante do que a leitura elegíaca, porque a leitura elegíaca trata Cobain como exceção enquanto o enquadramento de Vedder o trata como representativo.
O arranjo é um dos mais pacientes de Vitalogy. O verso é construído sobre uma progressão lenta de acordes que não varia; o refrão se abre num movimento harmônico mais amplo que se resolve via ponte para o solo de McCready. A canção é a mais longa de Vitalogy depois de 'Tremor Christ' e está estruturada para peso emocional cumulativo, não para liberação catártica. A bateria de Dave Abbruzzese é contida em todo o trajeto. O solo de McCready no clímax da canção é um dos mais melódicos do álbum, mais próximo da sensibilidade de Carlos Santana do que do vocabulário de Hendrix que ele tipicamente usa.
A penúltima faixa de Vitalogy foi gravada em parte no período imediatamente posterior à morte de Kurt Cobain em abril de 1994, e Vedder vinha sendo perguntado em cada entrevista sobre como ele se sentia sendo "o que sobrou" da geração grunge. "Immortality" é a resposta indireta: Vedder se posiciona como antípoda do suicídio, como o fujão (truant) que escolhe continuar fugindo em vez de aceitar o alçapão.
A imagem central é "trapdoor in the sun". Alçapão no sol. A figura é estranha de propósito: o suicídio não é descrito como buraco no escuro mas como armadilha escondida na luz, no lugar onde tudo parece bem. Em português, "alçapão no sol" preserva a imagem peculiar. A linha "He saw the trapdoor in the sun" é a única menção indireta de Cobain na música, e Vedder a deixa flutuar sem confirmação.
O conceito de "truant" estrutura a letra inteira. "A truant finds home" repete duas vezes. Truant é o aluno que falta à escola, o que foge das regras institucionais, o desertor leve. Vedder se identifica como fujão que ainda não foi pego, e em português "fujão" preserva o registro juvenil-rebelde do termo. Os "good truants" do final são os fujões que escolheram bem o lado da bifurcação.
A escolha tradutória mais delicada está em "Some die just to live". A frase opera como paradoxo final do álbum: alguns morrem só pra viver. O suicídio aqui é tanto a morte literal quanto a morte simbólica do eu social que liberta a alma real. Em português, "Alguns morrem só pra viver" preserva a ambiguidade. Vedder não condena nem celebra: registra que existe esse modo de morrer, e ele escolheu não escolhê-lo.
Em 6 de novembro de 2011 na Praça da Apoteose, 'Immortality' chegou no décimo segundo slot do show como uma das faixas estruturalmente mais ambiciosas de Vitalogy que a banda podia entregar em posição mid-set. A construção lenta da canção até a liberação plena do minuto final deu ao slot a modalidade de subida emocional paciente que a sequência late-mid-set do show exigia. A letra (frequentemente lida como meditação pós-Cobain sobre os custos da fama geracional, embora Vedder tenha repetidamente recusado confirmar essa leitura) ficou suspensa sobre a performance do mesmo modo que ficou suspensa sobre toda leitura ao vivo da canção desde o final da era Vs. A colocação no Rio refletiu o compromisso da turnê em deslocar material de Vitalogy para posições estruturalmente carregadas.
Em 21 de março de 2018 no Maracanã, 'Immortality' chegou no décimo segundo slot do show como uma das faixas estruturalmente mais ambiciosas de Vitalogy. A construção lenta da canção até a liberação plena do minuto final deu ao slot aquele gênero de subida emocional paciente que o miolo do show pedia.
Em 29 de agosto de 2024 no Wrigley Field, 'Immortality' chegou no quinto slot do show como a faixa da era Vitalogy. A construção lenta da canção até a liberação plena do minuto final deu ao slot a espécie de subida emocional paciente para a qual a abertura atmosférica do show vinha construindo.
Em 6 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Immortality' chegou no oitavo slot do show como a faixa da era Vitalogy, aqui em arranjo solo-acústico. A construção lenta da canção até a liberação plena do minuto final foi preservada no formato solo, com Vedder construindo a dinâmica via intensidade vocal em vez de volume da banda.
Em 8 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Immortality' chegou no décimo sétimo slot do show em arranjo solo-acústico.
Em 11 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Immortality' chegou no décimo nono slot do show.
Em 28 de março de 2018 no Citibank Hall, 'Immortality' chegou no vigésimo primeiro slot do show.