'Can't Keep' é a faixa de abertura de Riot Act (2002), e uma das letras mais diretas no catálogo do Pearl Jam do início dos anos 2000. A música e a letra são ambas de Vedder. A canção foi escrita e gravada durante as sessões de Riot Act no início de 2002, no período em que a banda estava processando as mortes de nove fãs durante o set da banda no Festival de Roskilde em 2000. O registro tonal da canção reflete esse processamento sem engajar com os eventos específicos diretamente.
A letra é uma das letras mais contemplativas de Vedder sobre a inevitabilidade da perda. O narrador descreve a experiência de segurar pessoas e circunstâncias que as condições estruturais da vida não vão permitir o segurador manter, enquadrando o segurar não como negação mas como a modalidade de arranjo provisório que constitui a maioria dos relacionamentos em curso. A canção não comenta sobre o desenlace; documenta a consciência e deixa o andamento contido da música carregar o sentido.
O arranjo é uma das faixas de abertura mais despojadas no catálogo do Pearl Jam. O verso é construído sobre uma progressão lenta de acordes que não varia; o elemento de banda entra em camadas contidas ao longo do comprimento da canção. O violão de McCready é contido em todo o trajeto. A bateria de Matt Cameron é com vassourinhas durante os versos.
Ao vivo, 'Can't Keep' tem sido presença regular no setlist desde 2002 e apareceu frequentemente nos shows solo de Vedder também, onde a gentileza da canção se traduz naturalmente para o contexto solo acústico. A canção funciona melhor como abridora ou como pausa tonal no início do miolo de um set.
Música abre o Riot Act, primeiro álbum pós-Roskilde. A letra é manifesto de soberania pessoal: o narrador anuncia que ninguém pode prendê-lo numa identidade fixa, nem mesmo a vida.
A escolha tradutória central foi 'You can't keep me here'. 'Keep' em inglês carrega duplo sentido: manter, segurar, preservar. 'Você não pode me prender aqui' privilegia a leitura de cativeiro, que é o tom da letra. Traduzir como 'manter' diluiria a urgência.
'I wanna shake / I wanna wind out' foi delicado. 'Wind out' é gíria automotiva (girar o motor até o ponto máximo) e também 'soltar como vento'. 'Quero tremer / Quero me soltar' devolve a leitura corporal de quem precisa sair do próprio corpo.
'Lived all this life like an ocean in disguise' usa o oceano como metáfora de imensidão contida em corpo individual. 'Vivi toda essa vida como um oceano disfarçado' preserva a imagem da grandeza oculta sob aparência limitada. O fechamento alterna 'I don't live forever' com 'I will live forever' nas duas últimas estrofes, e a contradição é o ponto: a soberania final do narrador é negar ambas as afirmações tradicionais sobre mortalidade.
Em 6 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Can't Keep' chegou no terceiro slot do show como a abridora da era Riot Act (faixa 1 de Riot Act 2002), aqui em arranjo solo-acústico. A progressão de acordes amigável ao ukulele da canção serviu ao formato.
Em 7 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Can't Keep' chegou no quinto slot do show, o mesmo deslocamento de início-de-set que a canção tinha recebido na noite 1.
Em 8 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Can't Keep' chegou no quinto slot do show, o deslocamento típico de início-de-set da canção ao longo das noites da residência paulista.
Em 11 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Can't Keep' chegou no sétimo slot do show.
Em 12 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Can't Keep' chegou no quinto slot do show.
Em 29 de março de 2018 no Citibank Hall, 'Can't Keep' chegou no décimo primeiro slot do show.