'Mankind' é a oitava faixa de No Code (1996), e uma das peças mais incomuns no catálogo do Pearl Jam porque apresenta Stone Gossard, em vez de Eddie Vedder, como vocalista principal. A música e a letra são creditadas a Stone Gossard, que apenas raramente cantou solo em gravações do Pearl Jam (e quase nunca nos shows ao vivo da banda). A canção foi a contribuição vocal solo mais pública de Stone a um álbum do Pearl Jam e é um dos poucos momentos no catálogo da banda onde a voz vocal não é a voz que o público associa ao Pearl Jam.
A letra é uma das letras mais diretas de Stone Gossard sobre como pessoas individuais podem se perder em comportamento coletivo. O narrador descreve a prática de manter julgamento individual dentro de dinâmicas de multidão, enquadrando o manter como aquela modalidade de pequena resistência diária que qualquer vida ética sustentada requer. A canção não comenta; documenta a prática e deixa o arranjo em andamento pop carregar a energia.
O arranjo é uma das peças com pendor mais pop em No Code. O verso é construído sobre uma progressão de acordes brilhante que sobe pelo refrão para um movimento harmônico mais amplo; o andamento e a sensibilidade vocal da canção são mais próximos de power-pop do que do vocabulário rock típico da banda. A bateria de Jack Irons na gravação sustenta a sensibilidade brilhante da canção em todo o trajeto.
Ao vivo, 'Mankind' tem sido presença rara no setlist desde 1996. O arranjo vocal da canção (Stone Gossard teria que cantar lead em qualquer performance ao vivo, o que é algo que ele tem sido relutante em fazer consistentemente) a torna difícil de deslocar em rotação regular. Performances da canção são, portanto, gesto deliberado da banda quando Stone está disposto a assumir o lugar vocal.
Uma das peças mais incomuns do catálogo porque apresenta Stone Gossard, não Eddie Vedder, como vocalista principal. A música e a letra são de Gossard, e a canção é diagnóstico da cultura de imitação compulsória que Gossard estava vendo se espalhar em meados dos anos 1990.
A frase-eixo é "It's all just inadvertent imitation / And I don't mean mine". A modéstia falsa é declarada: estou observando todo mundo se imitar, e não estou me incluindo, pelo menos não conscientemente. Em português, "É tudo imitação inadvertida / E não falo da minha" preserva o tom de quem aponta o vício alheio sabendo que carrega o mesmo vício.
A escolha tradutória mais delicada está em "What's got the whole world fakin' it". A pergunta é o refrão e a denúncia: o que fez o mundo inteiro fingir? Gossard não responde, repete a pergunta. Em português, "O que faz o mundo inteiro fingir" preserva a forma de pergunta retórica sem ponto de interrogação inicialmente, e ganha o ponto no fim quando vira pergunta exasperada.
A segunda estrofe é catálogo de produtos. "Listerine, Ovaltine, battleship". Marcas comerciais e brinquedos infantis aparecem como vocabulário do tédio adulto. Em português, mantive as marcas em inglês porque traduzir Listerine como "enxaguante bucal" amputaria a especificidade cultural. A música é sobre como a vida adulta consiste em rotinas de consumo que mimetizam vida sem ser vida. O fechamento é só a pergunta repetida três vezes: o que faz o mundo fingir? A música termina sem dar resposta porque a resposta não é dela. É da gente.
Em 20 de novembro de 2015 no Mineirão, 'Mankind' chegou no vigésimo sexto slot do show como a rara faixa da era No Code conduzida por Stone Gossard (Gossard canta vocal lead na versão de estúdio, e a banda rotaciona a canção em setlists quando quer destacar o vocal de Gossard). A colocação no Mineirão deu ao slot o gênero de surpresa estrutural que deslocamentos de deep cut convidam.
Em 25 de julho de 2022 no Ziggo Dome, 'Mankind' chegou no décimo slot do show como a rara faixa vocal conduzida por Stone Gossard.