SÓ MAIS UM FÃ DE PEARL JAM

All Those Yesterdays

Disco: Yield (1998) · Tocada 26 vezes ao vivo pelo Pearl Jam · estreia ao vivo em 21/06/1998 · última vez em 01/05/2025

Notas de tradução

Faixa de encerramento do Yield, claramente influenciada pelos Beatles tardios. A letra é conselho gentil a alguém exausto: descansa, deixa o passado lavar, dorme. Não há lição moral, há permissão.

A decisão central foi com a repetição quase litúrgica de 'Don't you think you oughtta'. Quatro perguntas seguidas, todas variantes da mesma pergunta, todas com o auxiliar 'oughtta' (forma coloquial de 'ought to', 'devia'). Em português, 'Você não acha que devia' preserva o gesto de quem pergunta sabendo a resposta. Não é 'descansa logo', é 'você mesmo já sabe que devia, e eu só estou perguntando'.

'There's time enough for you to lay your head down tonight' virou 'Tem tempo de sobra pra você deitar a cabeça hoje à noite'. 'Time enough' é construção arcaica em inglês (forma poética de 'enough time') e o português 'tempo de sobra' carrega o mesmo conforto antiquado, como conselho de avó.

'Let it wash away / All those yesterdays' é o refrão. 'Wash away' tem ressonância religiosa (lavar pecados, batismo) e a letra parece flertar com isso sem confirmar. Mantive 'Deixa lavar tudo embora' em vez de 'Deixa tudo ser lavado' porque o sujeito implícito é mais ativo, e 'tudo embora' carrega o destino do que parte. 'All those yesterdays' virou 'Todos esses ontens', preservando a estranheza da pluralização rara em português, que ecoa a estranheza da pluralização rara em inglês.

O fechamento, 'There's still time... it's no crime to escape', é a permissão explícita da música. 'Ainda dá tempo... não é crime escapar' devolve em português o tom de absolvição que Vedder oferece pra quem precisa ouvir que pode ir embora sem culpa.

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