'Untitled' é a décima primeira faixa de Yield (1998), uma peça em grande parte instrumental que a banda historicamente toca como a metade de abertura de um medley com 'MFC', que é a primeira faixa do álbum. O par é deliberado: em concerto, o Pearl Jam frequentemente usa 'Untitled' como ponto de ignição lenta que se resolve na muito mais rápida 'MFC'. O bootleg do Pacaembu 2005 captura exatamente essa transição. As duas estão listadas juntas na gravação de áudio estilo Mookie Blaylock como uma única unidade ('Untitled + MFC'), o que reflete a prática de execução ao vivo, não o sequenciamento do álbum.
A música é de Stone Gossard. O elemento vocal de 'Untitled' é sem palavras, uma linha melódica descendente lenta sobre a qual Vedder tipicamente improvisa em concerto. A versão de estúdio tem pouco menos de três minutos; versões ao vivo podem chegar a cinco ou seis minutos quando a banda usa a canção como espaço pra a casa se assentar. Vedder chamou 'Untitled' de 'breath song' (música de respiração) em entrevistas, o que captura sua função: é uma expiração de meio de show que prepara a banda e a casa pra a próxima onda.
A banda ocasionalmente usou 'Untitled' como veículo pra discursos durante o show, dedicatórias ou improvisações estendidas que interromperiam o fluxo de qualquer outra música. Eddie usou o espaço da canção pra abordar o luto de Roskilde, pra anunciar posições políticas durante a Vote for Change tour de 2004 e pra apresentar convidados. A abertura estrutural da música é parte do motivo pelo qual ela sobreviveu no catálogo ao vivo apesar de nunca ter sido single nem favorita de fã no sentido convencional.
Faixa 8 do Yield (1998), fragmento experimental sem letra cantada completa. Só duas linhas instrumentais cantadas: 'We're all crazy / We're all crazy and we're'. A música funciona como interlúdio antes de MFC, e ao vivo é tocada em medley 'Untitled + MFC' como entrada inflada.
A decisão tradutória central foi com a colocação 'we're all crazy and we're' onde a frase trunca sem completar. 'Tamo tudo louco e tamo' preserva o truncamento, com 'tamo' como contração coloquial brasileira de 'estamos'. A música é deliberadamente incompleta, e a tradução respeita o gesto.
Em 2 de dezembro de 2005 no Estádio do Pacaembu, 'Untitled' chegou no slot 9 do show como a primeira metade do medley canônico 'Untitled + MFC' que tem sido convenção de concerto do Pearl Jam desde a Yield tour de 1998. A função estrutural da música como 'breath song' (música de respiração, termo de Vedder) deu ao show sua primeira expiração verdadeira depois da onda de oito músicas de abertura; o público, nesse ponto da noite, vinha em pé há mais de uma hora. O vocal sem palavras improvisado de Vedder sobre a figura descendente lenta durou mais que a duração de estúdio, o que é consistente com o jeito que a canção opera como espaço pra a casa se assentar antes da próxima onda. A transição pra 'MFC' que se segue resolveu a respiração em movimento renovado.