'MFC' é a primeira faixa de Yield (1998). O título significa 'Mini Fast Car', o que Vedder confirmou em uma entrevista de 1998 à Spin em torno do lançamento do álbum. A música é uma das coisas mais imediatamente propulsivas de Yield: uma música de estrada com menos de três minutos construída sobre um riff de Stone Gossard que a banda gravou rapidamente durante as sessões de Yield em Seattle em 1997. A primeira faixa de Yield originalmente seria a mais lenta 'Faithfull', mas a banda trocou a ordem durante o sequenciamento pra dar ao álbum uma abertura mais rápida, e essa decisão moldou como o resto de Yield é ouvido.
A letra de Vedder é uma das mais curtas dele no álbum. O narrador está se afastando dirigindo de alguma coisa, e a música é sobre o tipo específico de clareza que chega na primeira hora de uma viagem longa de carro, quando o lugar que você deixou começou a recuar no retrovisor mas o lugar pra onde está indo ainda não começou a parecer real. Essa é uma preocupação de Vedder que recorre por todo o catálogo (é o tema explícito de 'Rearviewmirror' em Vs. e o tema implícito de 'Driftin'' na trilha de Into the Wild), e 'MFC' é o tratamento mais concentrado dele.
O arranjo é incomumente conduzido pela bateria pra uma faixa do Pearl Jam dos anos 90. A primeira gravação de estúdio de Matt Cameron com a banda foi Yield, e 'MFC' mostra o vocabulário rítmico que ele trouxe do Soundgarden: padrões complexos de hi-hat sobrepostos a uma batida reta de bumbo-caixa-bumbo-caixa. A guitarra de McCready é, por descrição dele em PJ20, deliberadamente simples nessa faixa. A complexidade está na cozinha rítmica.
Ao vivo, 'MFC' historicamente foi tocada como a segunda metade de um medley 'Untitled + MFC' em vez de música solo. Esse par é uma convenção de concerto do Pearl Jam desde a Yield tour de 1998. A transição de 'Untitled' pra 'MFC' é um dos momentos confiáveis de aplauso da banda: quando a figura descendente lenta de 'Untitled' se resolve na virada de bateria de abertura de 'MFC', públicos que reconhecem o movimento tendem a reagir antes de Vedder começar a cantar.
MFC é sigla pra 'Mini Fast Car', confirmada por Vedder. A música é a coisa mais imediatamente cinética do Yield, uma faixa de estrada de menos de três minutos. A letra é curta e oblíqua, sobre a clareza específica que aparece na primeira hora de uma viagem longa, quando o lugar deixado já se foi e o lugar de destino ainda não chegou.
A escolha tradutória mais difícil foi 'Sliding... out of reverse into drive'. 'Drive' aqui é a marca 'D' do câmbio automático americano, não verbo. Em português a transmissão automática usa o mesmo D, mas o leitor brasileiro do final dos anos noventa convivia mais com câmbio manual. Optei por 'saindo da ré pra primeira', sacrificando a tecnicidade do drive em troca do gesto de partida que qualquer motorista reconhece. A música é sobre arrancada, e o vocabulário precisa servir.
'She's out on her own and line high' é a linha mais oblíqua. 'Line high' não é expressão idiomática, é construção própria de Vedder, possivelmente sugerindo 'no limite' ou 'na linha alta' (rodando no ápice de aceleração). Traduzi como 'bem no limite', preservando a leitura de tensão extrema sem ancorar numa metáfora específica que o original não fixou.
'Fuck it, we'll disappear' foi mantido como 'Foda-se, a gente vai desaparecer'. O 'fuck it' é o gesto de quem abandona a tentativa de explicar, e 'foda-se' brasileiro carrega exatamente o mesmo encolher de ombros. 'There's no leaving here' virou 'Não dá pra sair daqui', que tem duas leituras simultâneas: não há saída física, e não há ato de partir, só desaparecimento.
Em 2 de dezembro de 2005 no Estádio do Pacaembu, 'MFC' chegou no slot 10 do show como a segunda metade do medley canônico 'Untitled + MFC' que ancora concertos do Pearl Jam desde a Yield tour de 1998. A transição da figura descendente lenta de 'Untitled' pra a virada de bateria de abertura de 'MFC' é um dos momentos confiáveis de aplauso da banda, e o bootleg do Pacaembu captura o público reagindo ao pivô do medley antes da entrada vocal de Vedder. O padrão de hi-hat de Cameron sobre a batida reta conduziu a música no andamento que o show precisava no slot 10: rápido o bastante pra converter a respiração que 'Untitled' havia concedido de volta em movimento sustentado, estruturado o bastante pra preparar a próxima onda em 'Porch'. A função de andamento do slot era especificamente sobre manter a curva de energia do show subindo durante a primeira metade.