SÓ MAIS UM FÃ DE PEARL JAM

In Hiding

Disco: Yield (1998) · Tocada 100 vezes ao vivo pelo Pearl Jam · estreia ao vivo em 31/01/1998 · última vez em 29/04/2025

Interpretação

'In Hiding' é a oitava faixa de Yield (1998) e uma das canções mais diretas que Vedder escreveu sobre um episódio de isolamento pessoal que ele experimentou no final dos anos 1990. A música é de Stone Gossard; a letra é de Vedder. A canção foi escrita após Vedder passar vários dias sozinho em sua casa em Seattle, deliberadamente evitando contato com o mundo exterior depois de um período de exaustão emocional cumulativa que a celebridade da banda tinha imposto. Ele discutiu esse episódio em múltiplas entrevistas, mais proeminentemente no PJ20 e numa conversa de 1998 com a Spin, enquadrando-o como experimento deliberado em desaparecimento voluntário em vez de episódio depressivo.

A letra é uma das letras mais pacientes de Vedder. O narrador descreve o desaparecimento, os dias de silêncio, a acumulação gradual de clareza que veio de recusar as demandas de presença social. A canção não comenta sobre se essa retirada foi saudável ou insalubre; documenta a experiência e deixa o ouvinte observar tanto o alívio quanto o eventual retorno. Essa é uma preocupação de Vedder que recorre ao longo do catálogo (Off He Goes trabalha território similar) e que é um dos assuntos duráveis de sua escrita do final dos anos 90.

O arranjo é uma das peças mais arquitetônicas de Stone Gossard. O verso é construído sobre um riff compacto em mid-tempo que se resolve via refrão que se abre num movimento harmônico mais amplo. O solo de McCready no centro da canção é contido e melódico, mais na veia Pete Townshend do que na de Hendrix. A bateria de Matt Cameron na gravação (Yield foi o primeiro álbum de Cameron com a banda, depois que Jack Irons saiu durante a turnê de No Code) está entre as mais controladas de seu período no Pearl Jam.

Notas de tradução

Vedder escreveu a letra depois de passar vários dias trancado em casa em Seattle, experimentando desaparecimento voluntário pra escapar da pressão da fama. Stone Gossard escreveu a música. A letra documenta o gesto sem julgar se foi saudável ou não.

A escolha mais delicada foi 'I knelt and emptied the mouth of every club around'. A imagem é deliberadamente ambígua. 'Club' pode ser garrafa, bar, taco, ou até bastão. 'Emptied the mouth' sugere derramar, esvaziar de cima pra baixo. Optei por 'Me ajoelhei e esvaziei a boca de cada garrafa por aqui' preservando o gesto de abstinência (pôr de cabeça pra baixo o que se tomaria) sem fechar a leitura. O ajoelhar carrega humilhação ritual, e o esvaziar é confissão e desistência ao mesmo tempo.

'I swallow my words to keep from lying / I swallow my face just to keep from biting' foi outra decisão. 'Swallow my face' é estranho no original, deliberadamente. 'Engulo minha cara' preserva a estranheza, e o paralelo com 'palavras' faz o gesto soar como autocontenção sequenciada: cala o que ia dizer, cala a expressão que ia fazer. 'Keep from biting' virou 'pra não morder', literal, porque o gesto canino é exatamente o que Vedder quer ativar.

'It's all state of mind' foi mantido como 'É tudo estado de espírito'. 'State of mind' em inglês é mais neutro, 'estado mental', e em português 'estado de espírito' carrega leve dimensão religiosa que casa com o gesto monástico da reclusão. A revelação final, 'I surfaced and all around me was enlightened', virou 'Vim à tona e tudo em volta de mim estava iluminado', preservando o vocabulário budista que Vedder ativa sem nomear.

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