Música é uma das peças mais filosóficas do Yield. A letra montada como série de paradoxos: estamos visitando, somos ondas, oceanos nos fizeram mas o amor é invenção humana. O gesto central é o pedido contraditório, 'me empurra, me puxa', que dá título à música.
A escolha tradutória mais sutil foi 'The oceans made me, but who came up with love?'. 'Came up with' é gíria americana pra 'inventou', no sentido casual de 'quem teve essa ideia?'. Em português, 'inventou' é direto demais e perde o tom conversacional. Optei por 'quem inventou o amor?', sacrificando o registro coloquial em troca da força filosófica do verso. A pergunta é genuína, não retórica: se os oceanos são responsáveis pelo corpo, alguém é responsável pelo sentimento, e Vedder quer saber o nome dessa entidade.
'Push me, pull me... push me, or pull me out' foi mantido como 'Me empurra, me puxa... me empurra, ou me puxa pra fora'. A oscilação do imperativo, alguém me decida, é o estado emocional da letra. 'Pull me out' carrega duplo sentido: tirar de uma situação difícil, ou puxar pra fora de um corpo (parto). Em português, 'me puxa pra fora' preserva ambas as leituras.
'I'm like an opening band for the sun' é a imagem mais autodepreciativa da música. O narrador se compara a banda de abertura: presença efêmera, descartável, anunciadora do que importa. 'Sou tipo banda de abertura pro sol' mantém o tom modesto e ligeiramente cômico que Vedder, ele próprio frontman, está pondo em cena. A figura da nuvem que solta chuva e seca virando poça antecipa a metáfora: chegamos, deixamos marca, evaporamos.