'Blood' é a décima primeira faixa de Vs. (1993) e uma das canções mais diretas no catálogo do Pearl Jam sobre ser uma figura pública sob escrutínio da imprensa. A música é creditada a todos os cinco integrantes do Pearl Jam; a letra é de Vedder. A canção é a explosão mais concentrada do argumento anti-fama do álbum Vs. Onde 'Animal' se dirige à indústria musical coletivamente e 'Glorified G' se dirige ao amigo colecionador de armas, 'Blood' se dirige à imprensa em si, às câmeras, às capas de revista, às vozes de rádio da madrugada que vinham tratando a vida interior de Vedder como matéria-prima desde Ten estourar.
A letra funciona como indictment entregue em velocidade. O narrador se descreve como material sendo consumido: um corpo cujo sangue a imprensa quer impresso, um rosto cujo sofrimento é mais vendável do que sua alegria, uma pessoa cuja privacidade foi determinada como commodity em vez de direito. A referência específica de Vedder é, como ele confirmou numa entrevista de 1993 da Rolling Stone, a capa de revista que o colocou na primeira página da Time em outubro de 1993 com a manchete 'All The Rage' (Toda a Raiva) e a chamada 'Roqueiros jovens raivosos como o Pearl Jam dão voz às paixões e medos de uma geração'. Vedder não queria estar na capa, não deu entrevista à Time, e ficou furioso que a revista publicou a capa mesmo assim. 'Blood' é uma das canções que essa raiva produziu.
O arranjo é a coisa formalmente mais agressiva de Vs. O verso é construído sobre um único acorde que é martelado em andamento de thrash; o refrão libera a tensão do verso num grito sustentado em vez de uma elevação melódica. A bateria de Dave Abbruzzese na gravação é a mais brutal de seu período no Pearl Jam. O solo de McCready no centro da canção é curto, rápido e harmonicamente desestabilizador, o que serve à postura da letra de recusar permitir ao ouvinte qualquer alívio do que está sendo dito.
A canção foi gravada em menos de cinco tomadas durante as sessões de Vs. no The Site no início de 1993, e a banda discutiu no PJ20 que 'Blood' era a canção que eles gravavam quando queriam externalizar qualquer frustração que o dia tinha acumulado. A gravação captura aquele gênero de performance de banda que depende de exaustão física simultânea: ninguém está tocando cuidadosamente porque ninguém tem a atenção sobressalente requerida para tocar cuidadosamente.
Pearl Jam contra a imprensa, escrita em 1993 quando a banda estava sendo dissecada por toda revista americana. A linha "Paint Ed big...turn Ed into...one of his enemies" é a confissão mais explícita do catálogo de Vedder sobre a violência simbólica da fama: o jornalismo de música pega o sujeito (Ed, Eddie) e o reescreve como ficção pública (Ed grande, Ed inimigo) até que o original e o retrato fiquem irreconhecíveis um do outro. Vedder se nomeia em terceira pessoa pra mostrar como a imprensa já tinha feito isso com ele primeiro.
A música é a explosão mais curta de Vs.: dois minutos e quinze segundos, sem refrão estrutural, só martelo e grito. A metáfora central é vampírica. "Stab it down, one-way needle, pulled so slowly / Drains and spills, soaks the pages" desenha a entrevista como agulha de vampiro: a imprensa fura, suga, derrama o sangue do entrevistado nas próprias páginas. "Encharca as páginas" em português preserva o gesto de líquido manchando papel.
A linha "It's my blood" é o refrão por insistência. Repete cinco vezes ao longo da música, e cada repetição é mais funda. O sentido é literal e figurado simultaneamente: é o meu sangue na sua tinta, é a minha vida sendo extraída pra alimentar seu produto. Em português, "É o meu sangue" preserva a forma curta e o tom de denúncia gritada.
O fim, "Maker of my enemies", é o veredicto. A imprensa não cobre o sujeito, ela o fabrica como inimigo. "Fabricante dos meus inimigos" é a tradução que preserva o duplo sentido: ela faz os inimigos dele, e o transforma em inimigo de si mesmo.
Em 6 de novembro de 2011 na Praça da Apoteose, 'Blood' chegou no terceiro slot do show como uma das faixas da era Vs. que a Pearl Jam Twenty Tour rotacionou em circulação quando a sequência de abertura do show pediu movimento adiante agressivo sustentado. O engajamento lírico específico da canção com o tratamento da imprensa de Vedder durante o período de Vs. (a figura 'Stone' na canção é amplamente lida como representando um jornalista ou crítico) tinha permanecido legível nas leituras ao vivo da banda desde 1993. A resposta do público do Rio sustentou a espécie de engajamento em volume cheio que a estrutura ao ar livre do Sambódromo encorajava, e o slot continuou a sequência de abertura de alta velocidade da noite.
Em 14 de novembro de 2015 no Estádio do Morumbi, 'Blood' chegou no vigésimo quinto slot do show como a faixa da era Vs. com seu engajamento lírico específico com a leitura da imprensa e do público de Vedder durante o período de Vs. O slot manteve a sequência comprimida-agressiva do late-set.
Em 21 de março de 2018 no Maracanã, 'Blood' chegou no vigésimo sexto slot do show como a faixa da era Vs. com seu engajamento lírico específico com a leitura da imprensa de Vedder.