'W.M.A.' é a oitava faixa de Vs. (1993). A sigla no título é o argumento da canção: White Male American (americano homem branco). A música é creditada a Jeff Ament e Dave Abbruzzese; a letra é de Vedder. A canção foi escrita em resposta direta a um incidente real: Vedder e um amigo negro estavam parados do lado de fora dos escritórios do Pearl Jam em Seattle quando um policial se aproximou dos dois e singularizou o amigo para questionamento enquanto ignorava Vedder. A canção é o experimento de pensamento que o momento gerou. Vedder descreve, em endereçamento em terceira pessoa, um homem que se move pelo mundo sem atrito por causa de sua demografia racial, e a canção é o indictment desse movimento sem atrito.
O arranjo é a coisa mais ritmicamente agressiva de Vs. A linha de baixo de Jeff Ament é o motor estrutural, e a bateria de Dave Abbruzzese (essa é uma de duas canções em Vs. onde Abbruzzese recebe crédito de co-autoria, designação incomum para um disco do Pearl Jam) constrói uma textura tribal-pulse que Vedder comparou, em entrevistas do ciclo promocional de Vs. de 1993, ao vocabulário rítmico do trabalho do final dos anos 80 do Public Enemy. A canção é, portanto, a tentativa mais explícita do Pearl Jam de engajar com prioridades rítmicas hip-hop, e o resultado não tem paralelo no catálogo da banda.
A letra é uma das declarações políticas mais diretas de Vedder. O narrador nomeia a demografia, nomeia o privilégio, e recusa amaciar o indictment com mitigação pessoal. Vedder discutiu o argumento da canção extensivamente durante a turnê de Vitalogy de 1995 em apresentações no palco e em entrevistas selecionadas, enquadrando a canção como tentativa de tornar audível para públicos brancos americanos o clima racial que estavam habitando sem perceber. A canção não oferece redenção. Ela diagnostica.
Ao vivo, 'W.M.A.' tem sido uma canção rara. Aparece em menos de 200 shows em três décadas de turnê, em parte porque o arranjo rítmico é difícil de aterrissar fora do ambiente de estúdio e em parte porque a banda historicamente reservou a canção para momentos em que seu argumento parece particularmente necessário. A canção é mais frequentemente deslocada como tag durante 'Daughter' do que como performance avulsa, o que deixa a banda dobrar o argumento de W.M.A. no argumento adjacente a W.M.A. de 'Daughter' (uma canção sobre outro tipo de vulnerabilidade demográfica).
A sigla do título é o argumento da música: White Male American. Vedder presenciou um amigo negro ser parado por policial enquanto ele mesmo, branco, era ignorado, e escreveu a canção como exame de privilégio. A música é creditada a Jeff Ament e Dave Abbruzzese, e a percussão foi feita batendo em equipamentos de estúdio improvisados: o policial é tambor de guerra.
A linha-eixo é "He won the lottery by being born". O privilégio como sorteio: o americano branco ganhou na loteria sem pagar bilhete, e essa aleatoriedade do nascimento se converte em direito automático. Em português, "Ele ganhou na loteria por ter nascido" mantém a brevidade ofensiva. "Big hand slapped a white male American" é a versão divina da loteria: a mão grande (de Deus, do Estado, do destino) bate palma de aprovação assim que o bebê branco aparece.
"Police stopped my brother again" repete três vezes. "Brother" pode ser literal (irmão de sangue) ou figurado (amigo negro do incidente real). Mantive "irmão" em português porque a ambiguidade preserva o argumento da letra. A repetição em escada não é estética, é estatística: paradas policiais raciais não são evento, são rotina.
O verso final é o argumento mais frio: "All my pieces set me free...human devices set me free". As "pieces" são as partes do corpo, da identidade, da cor da pele. Os "human devices" são as instituições humanas construídas pra libertar uns enquanto prendem outros. Em português, "Todas as minhas peças me libertam / dispositivos humanos me libertam" preserva o paralelismo entre corpo e instituição: ambos te liberam ou te prendem com a mesma frieza mecânica.
Em 3 de novembro de 2011 no Estádio do Morumbi, 'W.M.A.' chegou no décimo primeiro slot do show como o pull mais profundo da noite na camada política do material da era Vs. A canção (cujo título é o nome comprimido da banda para 'White Male American') tinha sido escrita em 1993 em resposta a um incidente específico no espaço de ensaio do Pearl Jam em Seattle envolvendo tratamento policial do amigo negro do colega de banda Eddie, e o argumento da canção permaneceu legível ao longo das décadas de turnê. A função de pacing do slot, após o peso emocional de 'Daughter' ter sido descarregado, foi manter o peso da seção média do show enquanto empurrava o argumento político de volta para a sala. A resposta do público do Morumbi sustentou a espécie de engajamento atento que a estrutura acusatória do verso da canção requer.
Em 25 de julho de 2022 no Ziggo Dome, 'W.M.A.' chegou no quinto slot do show como a faixa da era Vs. sobre tratamento policial racialmente disparado. O deslocamento de 2022 em Amsterdã (uma cidade com sua própria história complexa de policiamento em torno de turismo de drogas e imigração) carregou peso contextual específico.