'Rearviewmirror' é a nona faixa de Vs. (1993) e uma das letras autobiográficas mais diretas que Vedder escreveu. Jeff Ament escreveu a música com Stone Gossard, e a canção virou, quase imediatamente, o fechador preferido de set principal da banda pra a Vs. tour e boa parte da Vitalogy tour. A escalada estrutural da música, da contenção do verso pra a liberação total do minuto final, é uma das construções catárticas mais confiáveis no catálogo da banda.
A letra é, no sentido mais literal, sobre dirigir indo embora. Vedder discutiu a música em várias entrevistas (a aparição no MTV Unplugged de 1993 e a matéria de capa da Spin de 1994 são as mais citadas) como descrição de deixar uma casa abusiva. A linha 'fucking me over' na ponte é, por confirmação do próprio Vedder, dirigida ao homem que Vedder cresceu chamando de pai, e a canção é um relato em primeira pessoa de banco de motorista deixando fisicamente a casa e se recusando a olhar pra trás. O tipo específico de alívio do narrador, o alívio de colocar distância entre você e um lugar que vinha te machucando, é o que a música está documentando.
O arranjo é uma das construções-assinatura de Stone Gossard. O verso é um riff denso, quase com inflexão de pop, que se resolve em um refrão que explicitamente não eleva do jeito que refrões de rock convencionais elevam. A banda segura a explosão até o minuto final, quando a cozinha rítmica cai e a guitarra de McCready leva a música pra a escalada final. A bateria de Dave Abbruzzese na gravação original é o motor estrutural; Abbruzzese disse em entrevistas posteriores (ele tem sido mais abertamente retrospectivo sobre Vs. desde a saída da banda em 1994) que a música foi o take de que ficou mais orgulhoso das sessões de Vs.
O papel da canção em shows do Pearl Jam variou ao longo dos anos. Em meados dos anos 1990 era um fechador de set principal; no fim dos anos 1990 era uma injeção de energia de meio de set; nos anos 2000 migrou de novo pra o bis e virou uma das músicas pra as quais a banda recorria quando queria marcar o pico emocional de um show. A colocação em uma dada noite tende a prever que tipo de show a banda decidiu fazer.
A música é a mais autobiográfica de Vs. e uma das mais autobiográficas de todo o catálogo. Vedder escreveu sobre o padrasto abusivo da infância em San Diego, e o "drive today" da abertura é o ato de dirigir literalmente pra longe da casa. A escalada estrutural, do verso contido até o minuto final em que todos os instrumentos se soltam, é a forma musical da emancipação que a letra descreve. Tocada ao vivo, virou catarse coletiva.
A linha "I guess it was the beatings...made me wise" é o argumento moral da música. As surras me ensinaram algo, mas não vou agradecer. Vedder recusa a narrativa redentora americana ("aquilo me fez quem eu sou"), prefere reconhecer o ganho sem perdoar a perda. Em português, "Acho que foram as surras...que me deram juízo" preserva o tom seco.
"Wounds in the mirror waved" é uma das imagens mais densas. As feridas no espelho acenam: o passado refletido cumprimenta o presente que está saindo. Vedder olha pra trás pela última vez antes de virar a esquina, e o que ele vê acena de volta. "Feridas no espelho acenaram" preserva o sujeito ativo das próprias cicatrizes: elas é que se despedem.
O fim explode. "I gather speed from you fucking with me" é o motor literal da fuga: a violência de quem ele está deixando alimenta a velocidade da partida. "Eu pego velocidade com você me fodendo" mantém o palavrão e o paralelismo. A frase final, "the shades are raised", é a luz entrando depois que a janela foi fechada por anos. Em português, "as persianas estão levantadas", repetindo a imagem de "Daughter" mas em sentido invertido: ali fechavam pra prender, aqui se abrem pra libertar.
Em 2 de dezembro de 2005 no Estádio do Pacaembu, 'Rearviewmirror' chegou no slot 23 do show como a escalada estrutural principal do bis, a música pra a qual a banda recorria nos sets de meados dos anos 2000 quando queria marcar o pico emocional de um show. A contenção densa, quase com inflexão de pop, do verso construiu ao longo do tempo do slot até a liberação total do minuto final, em que a cozinha rítmica cai e a guitarra de McCready leva a música pra a escalada final. A resposta do público do Pacaembu durante a construção final, capturada no bootleg, sustentou a espécie de intensidade física que as casas a céu aberto da South American Tour 2005 encorajavam. A camada autobiográfica documentada da canção (Vedder deixando a casa abusiva) se assentou sobre a apresentação do mesmo jeito que se assentou sobre todo 'Rearviewmirror' de fim de set desde o lançamento da canção em 1993.
Em 3 de novembro de 2011 no Estádio do Morumbi, 'Rearviewmirror' chegou no slot 26 do show como a escalada estrutural principal do bis, a música pra a qual a banda recorre tarde nos shows quando quer marcar o pico emocional da noite por uma construção sustentada até a liberação total do minuto final. A contenção densa com inflexão de pop do verso construiu ao longo do tempo do slot até a seção final em que a cozinha rítmica cai e a guitarra de McCready leva a música pra a escalada final. A resposta do público do Morumbi durante a construção final, capturada no bootleg, sustentou o gênero de intensidade física que as casas a céu aberto da South American Tour 2011 encorajavam.
Em 6 de novembro de 2011 na Praça da Apoteose, 'Rearviewmirror' chegou no slot 17 do show como uma escalada de fim de meio de set estruturalmente pesada em vez da posição mais típica de fim de bis da canção. A colocação mais cedo refletiu a ordem distinta do show no Rio, em que a banda usava a liberação do minuto final da canção pra construir o pico de energia do meio do show em vez de guardar pra o bis. A resposta do público do Sambódromo durante a construção final sustentou aquele tipo de intensidade física que a casa a céu aberto encorajou.
Em 31 de março de 2013 no Jockey Club, 'Rearviewmirror' chegou no slot 18 do show como a primeira grande escalada estrutural do show, a música pra a qual a banda recorre quando quer marcar o pico emocional de um show. A contenção densa com inflexão de pop do verso construiu ao longo do tempo do slot até a liberação total da seção final, em que a cozinha rítmica cai e a guitarra de McCready leva a música pra a escalada final.
Em 3 de abril de 2013 no Costanera Sur, 'Rearviewmirror' chegou no slot 17 do show como a escalada estrutural principal do show, a música pra a qual a banda recorre tarde nos shows quando quer marcar o pico emocional da noite. A contenção densa com inflexão de pop do verso construiu ao longo do tempo do slot até a liberação total da seção final.
Em 11 de novembro de 2015 na Arena do Grêmio, 'Rearviewmirror' chegou no slot 18 do show como a primeira grande escalada estrutural do show. A contenção densa com inflexão de pop do verso construiu ao longo do tempo do slot até a liberação total da seção final.
Em 17 de novembro de 2015 no Mané Garrincha, 'Rearviewmirror' chegou no slot 19 do show como a primeira grande escalada estrutural do show. A contenção densa com inflexão de pop do verso construiu ao longo do tempo do slot até a liberação total da seção final.
Em 14 de novembro de 2015 no Estádio do Morumbi, 'Rearviewmirror' chegou no slot 19 do show como a primeira grande escalada estrutural do show. A contenção densa com inflexão de pop do verso construiu ao longo do tempo do slot até a liberação total da seção final.
Em 20 de novembro de 2015 no Mineirão, 'Rearviewmirror' chegou no slot 8 do show como um emprego estruturalmente cedo (a canção tipicamente vive em território de fim de bis). A colocação cedo refletiu a ordem distinta do show de BH, em que a banda usava a liberação do minuto final da canção pra marcar um pico de energia de meio de set.
Em 22 de novembro de 2015 no Maracanã, 'Rearviewmirror' chegou no slot 18 do show como a primeira grande escalada estrutural do show.
Em 31 de agosto de 2024 no Wrigley Field, 'Rearviewmirror' chegou no slot 16 do show como a escalada estrutural principal do show. A contenção densa com inflexão de pop do verso construiu ao longo do tempo do slot até a liberação total da seção final.
Em 11 de novembro de 2011 no Estádio Beira-Rio, 'Rearviewmirror' chegou no slot 24 do show como a escalada estrutural principal do território de bis, a música pra a qual a banda recorria tarde nos shows quando queria marcar o pico emocional da noite. A contenção densa com inflexão de pop do verso construiu ao longo do tempo do slot até a liberação total da seção final, em que a cozinha rítmica cai e a guitarra de McCready leva a música pra a escalada final. A resposta do público do Beira-Rio durante a construção final sustentou a forma de intensidade física que a casa a céu aberto encorajou.