SÓ MAIS UM FÃ DE PEARL JAM

Glorified G

Disco: Vs. (1993) · Tocada 144 vezes ao vivo pelo Pearl Jam · estreia ao vivo em 16/06/1993 · última vez em 15/09/2024

Interpretação

'Glorified G' é a quarta faixa de Vs. (1993) e a segunda das duas músicas anti-armas do álbum (a primeira sendo 'Go'). Onde 'Go' se dirige diretamente à arma, 'Glorified G' se dirige ao dono da arma. O título é o nome comprimido da banda pra espécie de pessoa que coleciona armas de fogo e as trata como acessórios de identidade em vez de ferramentas ou armas. Stone Gossard escreveu a música; Vedder escreveu a letra.

A origem da canção é uma das histórias mais citadas do Pearl Jam do período de Vs. Durante as sessões de Vs. no início de 1993, o baterista Dave Abbruzzese mencionou em conversa que tinha comprado uma arma nova, a sua segunda. A reação de Vedder (e da banda em geral) virou a semente da letra. Abbruzzese confirmou essa história em entrevistas posteriores e observou com certo bom humor que tocou bateria numa música escrita sobre ele. A canção, portanto, não é um manifesto político generalizado; é um documento específico de uma discussão interna de banda que estava acontecendo enquanto o álbum era gravado.

A letra é sarcástica, o que é incomum em Vedder. O narrador se dirige à figura colecionadora de armas com aprovação fingida, listando as satisfações da posse como se fossem virtudes. A estrutura da ironia depende do ouvinte entender que Vedder não está endossando o que descreve. Esse tipo de distanciamento de uma posição que a música examina é uma técnica que Vedder raramente usou; 'Glorified G' é uma das poucas letras claramente satíricas do catálogo dele.

Musicalmente, a canção é um exercício de Stone Gossard em escrita rítmica densa. O verso é um riff de corda única que dá soco em todos os tempos; o refrão se abre em acordes mais largos. O arranjo é um dos poucos de Vs. que não traz solo estendido de Mike McCready, o que é consistente com a duração comprimida e o argumento direto da música. A bateria de Abbruzzese na gravação é, talvez involuntariamente, o elemento mais expressivo da canção: a contenção rítmica que um baterista é obrigado a demonstrar ao tocar numa música sobre si mesmo se lê, na gravação, como uma espécie de autocrítica acidental.

Notas de tradução

A música é a segunda peça anti-arma de Vs. (a primeira é "Go") e a única do catálogo em que Vedder cita textualmente uma conversa real entre integrantes da banda. Dave Abbruzzese, baterista do Pearl Jam em 1993, comprou duas armas durante as sessões de gravação e disse à banda algo equivalente a "tá tudo bem, eu amo deus". Vedder transformou a frase em refrão. A música é, no sentido mais literal, vingança lírica contra um amigo.

"Pellet gun" é arma de pressão, brinquedo letal: o gun americano básico, e o título "Glorified G" reduz "Glorified Gun" a "Glorified G" como quem comprime a coisa amada num apelido carinhoso. A tradução preserva "Versão glorificada de uma arma de chumbinho" porque "chumbinho" é a contraparte cultural brasileira do "pellet": instrumento que parece brinquedo até que mata. A linha "Feels so manly, when armed" é tradução literal porque o ridículo é o ponto: o macho americano se sente homem só quando está armado, e a frase não precisa de comentário.

A construção mais densa é "Don't think, dumb is strength". Vedder reduz a três palavras o argumento de marketing armamentista: não raciocine, a burrice é virtude. Em português, "Não pense, burrice é força" preserva a sintaxe imperativa. O verso seguinte ("Never shot at a living thing") é a confissão envergonhada do atirador de fim de semana que nunca atirou de verdade.

O fim da música é uma incantação: "Always keep it loaded" três vezes, "Kindred to be an American", e o título arrastado até virar nonsense. "Aparentado pra ser americano" é a fórmula que mantém a estranheza original do "kindred" e da ideia de que ser americano se herda como família.

Ao vivo nos shows deste arquivo

Mais do disco Vs.

Ouvir e ver as cifras no site