'Pendulum' é a sétima faixa do Lightning Bolt (2013), e uma das letras mais atmosféricas do álbum. A música é creditada a Stone Gossard, Mike McCready e Jeff Ament; a letra é de Vedder. A música se constrói sobre uma figura de seção rítmica em rolamento lento que cria a espécie de movimento hipnótico em frente que o título evoca, e o arranjo permite que o vocal de Vedder flutue acima do ritmo em vez de empurrar contra ele.
A letra é uma das composições mais meditativas de Vedder sobre o tempo cíclico. O narrador descreve a experiência de assistir aos ritmos da vida se repetindo, enquadrando a repetição não como monotonia, mas como a condição estrutural que dá a qualquer momento individual seu peso. A música não editorializa sobre se a repetição pode ser escapada; documenta os ciclos e deixa o movimento pendular da música carregar o sentido.
O arranjo é um dos mais incomuns do Lightning Bolt. O verso é construído sobre uma progressão de acordes que não varia; o refrão se abre numa movimentação harmônica mais ampla que resolve por meio de uma escalada instrumental sustentada. O solo de McCready no centro da música é contido e melódico. A bateria de Matt Cameron usa vassourinhas o tempo todo, o que dá à música uma maciez textural incomum pro ciclo do Lightning Bolt.
Ao vivo, 'Pendulum' tem sido presença regular em setlists desde 2013. A música funciona melhor como abertura ou como âncora tonal de início de set, onde sua sensação hipnótica pode estabelecer um registro sobre o qual o resto do show pode construir ou do qual pode partir.
Letra de Vedder, balada lenta sobre oscilação emocional. O pêndulo é metáfora pra os movimentos involuntários do humor humano, e a música é uma das mais escuras do Lightning Bolt.
A decisão tradutória central foi 'My shadow left me long ago'. A sombra é a parte do narrador que deveria acompanhá-lo e o abandonou. 'Minha sombra me deixou há muito tempo' devolve a perda de uma parte considerada inseparável.
'This might pass, this might last, this may grow' é a sequência de hipóteses sobre o estado emocional. Em inglês, a rima interna ('pass / last') é parte do gesto musical. 'Isso pode passar, isso pode durar, isso pode crescer' não preserva a rima mas mantém a tríade hipotética.
'Easy come easy go / Easy left me a long time ago' usa o provérbio 'easy come easy go' (fácil chega, fácil vai) como base e depois pessoaliza 'easy' como sujeito. 'Fácil chega fácil vai / Fácil me deixou há muito tempo' preserva o jogo onde a palavra 'fácil' vira nome próprio do que o narrador perdeu.
'I'm in the fire, but I'm still cold' é o paradoxo central. Estar no fogo e ainda assim sentir frio é estado depressivo profundo. 'Tô no fogo, mas ainda tô frio' devolve a contradição em registro coloquial.
'Nothing works, works for me anymore' usa a vírgula como recurso de hesitação ('nada funciona', pausa, 'funciona pra mim mais'). 'Nada funciona, funciona pra mim mais' preserva a hesitação, mantendo a estrutura quebrada. O refrão 'To and fro the pendulum throws' virou 'Pra lá e pra cá o pêndulo lança', preservando o movimento oscilatório.
Em 11 de novembro de 2015 na Arena do Grêmio em Porto Alegre, 'Pendulum' abriu o show como uma das faixas da era Lightning Bolt que a Latin American Tour 2015 vinha usando pra ancorar sequências de abertura. A construção lenta e atmosférica da música (a bateria com baquetas de feltro de Cameron, o pad de órgão de Gaspar) deu ao slot uma abertura deliberadamente contida que contrastava com o típico início de show de alta velocidade do Pearl Jam. POA foi a primeira data brasileira da turnê, e a escolha de abrir com a faixa mais introspectiva do álbum mais recente sinalizava que essa perna se inclinaria mais sobre material do Lightning Bolt do que sobre a retrospectiva ampla do catálogo que a perna de 2013 tinha feito. O bootleg da Arena do Grêmio captura o público se acomodando na escalada lenta da música.