'Yellow Moon' é a sétima faixa do Lightning Bolt (2013), uma das letras mais pacientes do álbum. A música é de Jeff Ament; a letra é de Vedder. A música é uma das peças mais atmosféricas do catálogo tardio do Pearl Jam, que gira em torno de uma progressão de acordes lenta que a banda deixa sustentar ao longo da extensão da música sem liberar na forma de escalada catártica que as faixas mais duras do álbum entregam.
A letra é uma das peças mais gentis de Vedder sobre transições. O narrador descreve a experiência de estar em um momento de mudança, enquadrando a mudança não como evento a ser temido, mas como a forma de transição natural que os próprios ciclos da lua modelam. A música não editorializa sobre como saudar a mudança; documenta o momento e deixa o andamento lento da música carregar o sentido.
O arranjo é uma das composições mais econômicas de Jeff Ament no Lightning Bolt. O verso é construído sobre uma progressão de acordes lenta carregada principalmente pela linha de baixo de Ament; o refrão se abre numa movimentação harmônica mais ampla que deixa o vocal de Vedder sustentar pela extensão completa da seção. O solo de McCready no centro da música é contido e melódico. A bateria de Matt Cameron na gravação usa vassourinhas o tempo todo.
Ao vivo, 'Yellow Moon' tem sido presença regular, embora não pesada, em setlists desde 2013. A música funciona melhor na segunda metade do set, onde seu andamento lento pode marcar uma mudança tonal antes do surto de encerramento.
Letra de Jeff Ament, balada construída em torno da imagem da lua amarela como testemunha de morte. A música é elegia oblíqua, possivelmente para soldado, possivelmente para qualquer baixa civil em conflito.
A decisão tradutória central foi 'Yellow Moon on the rise'. 'On the rise' é expressão dupla: subindo (literal, fenômeno astronômico) e ascendente (figurado, ganhando força). 'Lua Amarela subindo' privilegia a leitura astronômica, que é o que sustenta a metáfora da letra (a lua amarela aparece quando há mais perdas).
'One could feel the earth vibrate' usa o pronome impessoal 'one' (em vez de 'I' ou 'you'), distanciamento formal. 'Dava pra sentir a terra vibrar' preserva a impessoalidade.
'Moon, changing shape and shade / As we all do under its gaze' é o paralelo central. A lua muda como nós mudamos, e a transformação é vista por ela. 'Lua, mudando de forma e tom / Como todos nós fazemos sob o olhar dela' devolve a comparação.
'An echo that rings / A bullet unchained / One life, one grave / Joins the parade' é a sequência mais carregada. O eco soa, a bala se solta, a vida termina, a cova entra no desfile. 'Um eco que ressoa / Uma bala solta / Uma vida, uma cova / Entra no desfile' preserva a quartina como sequência de causa e consequência.
'The black and white fades' fecha a passagem com a perda de contraste. As distinções morais (preto e branco) se dissipam quando a morte acumula. 'O preto e branco esmaece' devolve a perda. O refrão repetido 'Lua Amarela subindo' fica como mantra que não oferece consolo, só presença.
Em 22 de novembro de 2015 no Maracanã, 'Yellow Moon' chegou no décimo nono slot do show como um dos deep cuts da era Lightning Bolt. O arranjo da música liderado por Stone Gossard deu ao slot uma passagem de meio de set estruturalmente distinta. A colocação no Maracanã fez dessa uma das execuções mais raras da música no slot 19 na turnê de 2015.