SÓ MAIS UM FÃ DE PEARL JAM

Sirens

Disco: Lightning Bolt (2013) · Tocada 74 vezes ao vivo pelo Pearl Jam · estreia ao vivo em 11/10/2013 · última vez em 12/07/2018

Interpretação

'Sirens' é a sexta faixa de Lightning Bolt (2013) e a canção mais tocada ao vivo do álbum depois da faixa-título. A música é de Mike McCready; a letra é de Vedder. McCready discutiu a canção em entrevistas do ciclo promocional de 2013 como uma canção que escreveu para sua esposa Ashley, enquadrando a música como presente que ela podia carregar além do momento de sua composição. A canção é, portanto, uma das poucas peças no catálogo do Pearl Jam com dedicatória documentada, e o arranjo reflete essa aposta pessoal.

A letra é uma das letras mais diretas de Vedder sobre mortalidade dentro do contexto do amor. O narrador descreve a experiência de segurar uma parceira enquanto permanece consciente de que o segurar não será permanente, enquadrando a consciência não como tragédia mas como fonte da intensidade do amor. A canção não comenta sobre como viver com essa consciência; documenta a experiência e deixa a construção lenta da música carregar o peso emocional. Vedder discutiu a canção em entrevistas de 2013 como uma canção que levou a música de McCready em direção mais direta do que o instrumental original tinha implicado.

O arranjo é uma das peças mais pacientes de McCready em Lightning Bolt. O verso é construído sobre uma progressão de acordes que não varia até a ponte; o refrão se abre num movimento harmônico mais amplo que se resolve via subida instrumental sustentada. A bateria de Matt Cameron na gravação é contida em todo o trajeto, o que serve à postura da canção. O solo final estende além do tamanho de estúdio na maioria das performances ao vivo.

Ao vivo, 'Sirens' tem sido uma regular do setlist desde 2013. A canção funciona melhor na segunda metade de um set, onde seu peso pode aterrissar num público que foi aquecido. O vocal coletivo wordless conduzido pelo público durante a seção final tornou-se um dos momentos comunais mais confiáveis em qualquer show do Pearl Jam do ciclo de 2013 em diante.

Notas de tradução

Balada extensa de Mike McCready, letra de Vedder. Uma das mais celebradas do tardio Pearl Jam, e Vedder confirmou em entrevistas que escreveu pensando na fragilidade do casamento e da vida quando ouvia ambulâncias passando à noite.

A decisão tradutória central foi 'It's a fragile thing, This life we lead'. A fragilidade é a tese da música. 'É uma coisa frágil, Essa vida que levamos' preserva a economia.

'If I think too much I can get over-/Whelmed by the grace' é a quebra de palavra mais marcante. Vedder corta 'overwhelmed' (sobrecarregado) entre duas linhas: 'over-' fecha um verso, 'whelmed' abre o próximo. A graça quase ultrapassa o sujeito. 'Se eu pensar demais posso ficar sobre-/carregado pela graça' devolve a fratura sintática, preservando o gesto musical de quem se interrompe quando reconhece o que está sentindo.

'I didn't care, before you were here / I danced in laughter with the ever after' é a confissão pré-amor. Antes da parceira, o narrador não se preocupava com a morte porque dançava em riso com o pós-vida. 'Eu não me importava, antes de você estar aqui / Eu dançava em riso com o pra sempre depois' preserva o vocabulário ligeiramente arcaico de 'ever after' (eternidade, vida após a morte, ou 'felizes pra sempre' dos contos de fadas).

'Will they come for me next time?' é a pergunta central. As sirenes que sempre passam pegando outros podem um dia vir buscá-lo. 'Eles vão vir por mim da próxima vez?' devolve o medo. O fechamento, 'Want you to know / That should I go...', é o pedido inacabado: se eu for, quero que você saiba. As reticências preservam a frase que o narrador não consegue completar.

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