'Sirens' é a sexta faixa de Lightning Bolt (2013) e a canção mais tocada ao vivo do álbum depois da faixa-título. A música é de Mike McCready; a letra é de Vedder. McCready discutiu a canção em entrevistas do ciclo promocional de 2013 como uma canção que escreveu para sua esposa Ashley, enquadrando a música como presente que ela podia carregar além do momento de sua composição. A canção é, portanto, uma das poucas peças no catálogo do Pearl Jam com dedicatória documentada, e o arranjo reflete essa aposta pessoal.
A letra é uma das letras mais diretas de Vedder sobre mortalidade dentro do contexto do amor. O narrador descreve a experiência de segurar uma parceira enquanto permanece consciente de que o segurar não será permanente, enquadrando a consciência não como tragédia mas como fonte da intensidade do amor. A canção não comenta sobre como viver com essa consciência; documenta a experiência e deixa a construção lenta da música carregar o peso emocional. Vedder discutiu a canção em entrevistas de 2013 como uma canção que levou a música de McCready em direção mais direta do que o instrumental original tinha implicado.
O arranjo é uma das peças mais pacientes de McCready em Lightning Bolt. O verso é construído sobre uma progressão de acordes que não varia até a ponte; o refrão se abre num movimento harmônico mais amplo que se resolve via subida instrumental sustentada. A bateria de Matt Cameron na gravação é contida em todo o trajeto, o que serve à postura da canção. O solo final estende além do tamanho de estúdio na maioria das performances ao vivo.
Ao vivo, 'Sirens' tem sido uma regular do setlist desde 2013. A canção funciona melhor na segunda metade de um set, onde seu peso pode aterrissar num público que foi aquecido. O vocal coletivo wordless conduzido pelo público durante a seção final tornou-se um dos momentos comunais mais confiáveis em qualquer show do Pearl Jam do ciclo de 2013 em diante.
Balada extensa de Mike McCready, letra de Vedder. Uma das mais celebradas do tardio Pearl Jam, e Vedder confirmou em entrevistas que escreveu pensando na fragilidade do casamento e da vida quando ouvia ambulâncias passando à noite.
A decisão tradutória central foi 'It's a fragile thing, This life we lead'. A fragilidade é a tese da música. 'É uma coisa frágil, Essa vida que levamos' preserva a economia.
'If I think too much I can get over-/Whelmed by the grace' é a quebra de palavra mais marcante. Vedder corta 'overwhelmed' (sobrecarregado) entre duas linhas: 'over-' fecha um verso, 'whelmed' abre o próximo. A graça quase ultrapassa o sujeito. 'Se eu pensar demais posso ficar sobre-/carregado pela graça' devolve a fratura sintática, preservando o gesto musical de quem se interrompe quando reconhece o que está sentindo.
'I didn't care, before you were here / I danced in laughter with the ever after' é a confissão pré-amor. Antes da parceira, o narrador não se preocupava com a morte porque dançava em riso com o pós-vida. 'Eu não me importava, antes de você estar aqui / Eu dançava em riso com o pra sempre depois' preserva o vocabulário ligeiramente arcaico de 'ever after' (eternidade, vida após a morte, ou 'felizes pra sempre' dos contos de fadas).
'Will they come for me next time?' é a pergunta central. As sirenes que sempre passam pegando outros podem um dia vir buscá-lo. 'Eles vão vir por mim da próxima vez?' devolve o medo. O fechamento, 'Want you to know / That should I go...', é o pedido inacabado: se eu for, quero que você saiba. As reticências preservam a frase que o narrador não consegue completar.
Em 11 de novembro de 2015 na Arena do Grêmio, 'Sirens' chegou no décimo quinto slot do show como a balada da era Lightning Bolt que tinha se tornado, desde o lançamento do álbum em 2013, uma das canções mais audience-attentive da banda. A letra de McCready (uma reflexão sobre mortalidade de uma perspectiva long-married) ficou suspensa sobre a performance com a modalidade de peso emocional que o andamento lento exige. A participação vocal do público de Porto Alegre no refrão sustentou o volume que o arranjo da canção convida.
Em 17 de novembro de 2015 no Mané Garrincha, 'Sirens' chegou no vigésimo segundo slot do show como a balada da era Lightning Bolt. A participação vocal do público no refrão sustentou o volume que a estrutura da faixa pede.
Em 14 de novembro de 2015 no Estádio do Morumbi, 'Sirens' chegou no vigésimo segundo slot do show como a balada da era Lightning Bolt cuja reflexão sobre mortalidade tinha se tornado, desde 2013, uma das canções mais audience-attentive da banda. O peso pós-Paris deu à letra da canção sua leitura ao vivo mais afiada: a estrutura 'one breath away from the rest of our lives' (uma respiração de distância do resto da nossa vida) mapeou exatamente sobre as notícias da noite anterior.
Em 20 de novembro de 2015 no Mineirão, 'Sirens' chegou no vigésimo segundo slot do show. A reflexão sobre mortalidade da balada da era Lightning Bolt sustentou o registro emocional do final de set.
Em 22 de novembro de 2015 no Maracanã, 'Sirens' chegou no décimo terceiro slot do show como a balada da era Lightning Bolt. A participação vocal do público do Rio no refrão sustentou o volume.
Em 24 de março de 2018 no Lollapalooza Brasil, 'Sirens' chegou no décimo quarto slot do show como a balada da era Lightning Bolt. A participação vocal do público do festival no refrão sustentou a estrutura da canção.