'Speed of Sound' é a nona faixa de Backspacer (2009) do Pearl Jam. A música é de Vedder; a letra também é de Vedder. A canção é uma das peças com pendor mais pop no catálogo mais amplo do Pearl Jam, que se desdobra a partir de uma figura brisk de violão com acompanhamento de banda que fica contido em todo o trajeto.
A letra é uma das letras mais gentis de Vedder sobre reflexão e memória. O narrador descreve a experiência de como pensamentos e memórias viajam mais rápido do que o raciocínio consegue acompanhar, enquadrando a velocidade não como confusão mas como a espécie de condição cognitiva que qualquer vida reflexiva produz. A canção não comenta sobre como gerenciar a velocidade; documenta a consciência e deixa o andamento da música carregar o sentido.
O arranjo é uma das peças mais despojadas em Backspacer. O verso é construído sobre uma figura de violão dedilhada; o elemento de banda entra em camadas contidas ao longo do comprimento da canção. A bateria de Matt Cameron na gravação é com vassourinhas em todo o trajeto, o que serve ao registro reflexivo da canção.
Ao vivo, 'Speed of Sound' tem sido presença regular no setlist desde 2009 tanto em shows do Pearl Jam quanto nas performances solo de Vedder. Em contextos solo, a estrutura conduzida pelo violão da canção se traduz naturalmente sem a banda; em shows do Pearl Jam, a banda fica contida em torno do vocal de Vedder do mesmo modo que a gravação de estúdio faz. A canção funciona melhor como momento quieto na segunda metade de um set.
Letra de Vedder, balada melancólica. A música é contrapeso emocional à energia do resto de Backspacer, retrato de quem reconhece que a velocidade contemporânea destruiu a capacidade de lembrar. 'Speed of sound' não é metáfora positiva aqui (como em Supersonic) mas diagnóstico cultural.
A decisão tradutória central foi 'It's hard to remember any thing / Moving at the speed of sound'. A separação intencional 'any thing' (em vez de 'anything') em duas palavras enfatiza a granularidade do que se perde. 'É difícil lembrar de qualquer coisa / Movendo-se na velocidade do som' devolve o sentido sem replicar o detalhe gráfico, que se perderia em português.
'And yet I'm still holding tight / To this dream of distant light' é a resistência apesar de tudo. O narrador admite a derrota da memória mas mantém o sonho. 'E ainda estou agarrado / A esse sonho de luz distante' preserva o gesto.
'Can I forgive what I / Cannot forget / And live a lie' é a pergunta moral central. Perdoar sem esquecer é viver mentira. 'Posso perdoar o que eu / Não consigo esquecer / E viver uma mentira' devolve a dúvida sem resolvê-la.
'A whisper in the dark / Is that you or just my thoughts?' é o momento alucinatório da letra. O narrador não distingue entre presença do outro e produção interna. 'Um sussurro no escuro / É você ou só meus pensamentos?' preserva a indistinção. O fechamento, 'Moving faster than the speed of sound', completa a tragédia: agora se move acima da velocidade do som, o que significa que nem se ouve mais o que produz.
Em 7 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Speed of Sound' chegou no décimo segundo slot do show como a segunda das três estreias da turnê da noite. O contexto solo-acústico para a canção lhe deu aquela espécie de ambiente íntimo de escuta que a estrutura quieta da canção convida.
Em 12 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'Speed of Sound' chegou no quarto slot do show. A canção foi uma das estreias da turnê de 7 de maio; a aparição de 12 de maio manteve a rotação late-tour da canção.
Em 29 de março de 2018 no Citibank Hall, 'Speed of Sound' chegou no vigésimo primeiro slot do show.