'The End' é a décima primeira faixa de Backspacer (2009) do Pearl Jam, e uma das letras mais diretas sobre mortalidade no catálogo da banda. A música é de Vedder; a letra é de Vedder. A canção foi escrita e gravada durante as sessões de Backspacer no início de 2009, e Vedder falou em entrevistas sobre a canção como uma espécie de carta para as pessoas que ele deixaria pra trás se um fim súbito chegasse.
A letra é uma das letras mais diretas de Vedder sobre despedida antecipada. O narrador se dirige a uma segunda pessoa não nomeada (o ouvinte é o destinatário, enquadrado como o ente querido que o falante está se preparando para deixar) e oferece uma sequência de confissões e desculpas, enquadrando o ato de preparar a despedida não como mórbido mas como aquela espécie de prestação de contas honesta que qualquer vida reflexiva eventualmente requer. A canção não comenta sobre se o fim é iminente; documenta a preparação e deixa o andamento lento da música carregar o sentido.
O arranjo é uma das peças mais despojadas em Backspacer. O verso é construído sobre uma figura de violão dedilhada; o elemento de banda entra em camadas contidas ao longo do comprimento da canção, com cordas (arranjadas por Brendan O'Brien) adicionando peso cumulativo nos versos posteriores da canção. A bateria de Matt Cameron na gravação é com vassourinhas em todo o trajeto. A colocação da canção na posição penúltima do álbum é argumento de sequenciamento: a reflexão sobre mortalidade deixa a faixa de fechamento aterrissar em terreno emocional preparado.
Ao vivo, 'The End' tem sido presença regular mas não pesada no setlist desde 2009 e apareceu nos shows solo de Vedder também, onde a estrutura acústica da canção se traduz naturalmente sem a banda. A canção funciona melhor como momento quieto na segunda metade de um set ou como encore, onde seu peso pode aterrissar num público que foi emocionalmente preparado.
Fechamento de Backspacer, balada de morte iminente. Letra de Vedder, escrita da perspectiva de quem está morrendo e tenta deixar última mensagem pra quem fica. A canção é uma das mais explicitamente testamentárias do catálogo, e Vedder confirmou em entrevistas que a inspiração foi cuidar do pai do mecânico dele que estava em fase terminal.
A decisão tradutória central foi 'I'm just a human being / I will take the blame / But just the same / This is not me'. A defesa do moribundo é dupla: aceito a culpa por ser humano, mas o que vou ser depois disso não é o que eu fui. 'Eu sou só um ser humano / Eu vou levar a culpa / Mas mesmo assim / Esse não sou eu' preserva a sequência.
'Slide on next to me' é o pedido físico mais íntimo. 'Slide on' (deslizar pra cá) é gesto sem esforço, alguém se posicionando perto sem pedir. 'Desliza pra perto de mim' devolve o convite sem cerimônia.
'Before I disappear / Whisper in my ear / Give me something to echo / In my unknown future's ear' é a passagem central. O moribundo pede uma mensagem que vai carregar pro pós-morte, pra ecoar no ouvido do que vier depois. 'Antes de eu desaparecer / Sussurra no meu ouvido / Me dá algo pra ecoar / No ouvido do meu futuro desconhecido' preserva a equação acústica entre quem vai e quem fica.
O fechamento, 'My dear / The End / Comes near / I'm here / But not much longer', é a sequência rimada da chegada da morte. 'Meu bem / O Fim / Vem perto / Eu estou aqui / Mas não por muito tempo' devolve a contagem regressiva. A rima do original ('dear / near / here') se perde em parte ('bem / perto / aqui'), mas o ritmo da chegada se preserva.
Em 6 de maio de 2014 no Citibank Hall, 'The End' chegou no trigésimo slot do show como a fechadora da era Backspacer (faixa 11 de Backspacer 2009). A entrega vocal frágil da canção no formato solo deu ao slot uma âncora emocional antes da sequência final do show.
Em 30 de março de 2018 no Citibank Hall, 'The End' chegou no vigésimo slot do show como a fechadora da era Backspacer.