Música abre o Binaural com uma das imagens mais diretas do catálogo: garota num parapeito, sem pra onde ir. Vedder escreveu a letra olhando o vocabulário do suicídio adolescente que tinha permeado o início da carreira da banda (Jeremy é o exemplo óbvio) e tenta aqui oferecer uma resposta que não cai no consolo barato.
A decisão tradutória mais delicada foi com o título: 'breakerfall' é neologismo de Vedder, combinação de 'breaker' (quebra-mar, onda que arrebenta) com 'fall' (cair, queda, cachoeira como 'waterfall'). Optei por preservar 'breakerfall' intraduzido no corpo da letra, sinalizando ao leitor brasileiro que se trata de palavra inventada que não tem equivalente fixo. Traduzir como 'quebra-queda' ou 'queda-onda' seria fechar uma ambiguidade que Vedder deixou aberta de propósito.
'All the love that she had was just wood that she burned' virou 'todo o amor que ela tinha era só madeira que ela queimou'. A imagem é de quem usou o combustível afetivo todo, e agora a vida pega fogo sem nada pra alimentar. 'It's no one's concern' virou 'não é problema de ninguém', preservando a frieza social que a letra aponta.
'She's lost her invitation to the party on earth' é a metáfora central. A vida como festa pra qual nem todos receberam convite. 'Como se ela tivesse perdido o convite pra festa na terra' devolve em português o tom de quem foi excluído de algo que deveria ser universal. O fechamento 'Only love can breakerfall' é declaração ambígua: o amor pode quebrar-cair, ou só o amor pode parar a queda. Mantive em 'só o amor pode breakerfall' com o neologismo intacto, deixando a ambiguidade trabalhar.