'Light Years' é a quarta faixa de Binaural (2000) do Pearl Jam, e uma das elegias mais diretas no catálogo do Pearl Jam. A música é de Stone Gossard; a letra é de Vedder. A canção foi escrita e gravada durante as sessões de Binaural no início de 2000, no período após as mortes de múltiplas figuras na comunidade musical mais ampla de Seattle ao longo do final dos anos 1990. A letra não nomeia um destinatário específico, mas o registro emocional da canção tem sido consistentemente entendido por ouvintes de longa data como tributo a amigos que Vedder perdeu ao longo da década.
A letra é uma das letras mais meditativas de Vedder sobre a durabilidade de relações através de distância. O narrador se dirige a alguém que ou morreu fisicamente ou de outro modo se tornou inalcançável e enquadra o significado contínuo da relação apesar da inalcançabilidade cumprindo o papel de condição estrutural na qual o luto eventualmente se assenta. A canção não comenta; documenta a consciência e deixa o andamento lento da música carregar o peso emocional.
O arranjo é uma das peças mais em camadas em Binaural. O verso é construído sobre uma progressão de acordes que Stone Gossard toca em andamento medido; o refrão se abre num movimento harmônico mais amplo que se resolve via ponte para um solo de McCready. A bateria de Matt Cameron na gravação é contida em todo o trajeto. A abordagem do produtor Tchad Blake na gravação (ele favoreceu posicionamentos de microfone incomuns que criavam um sentido de espaço físico na imagem estéreo da gravação) dá à canção uma sensibilidade textural que a distingue do resto do catálogo do Pearl Jam do período.
Ao vivo, 'Light Years' tem sido presença regular no setlist desde 2000 e apareceu nos shows solo de Vedder também. A canção funciona melhor na segunda metade de um set, onde seu peso pode aterrissar num público que foi emocionalmente preparado.
Letra escrita em memória de Diane Muus, executiva da Capitol Records que era amiga próxima da banda e morreu de câncer em 1999. Vedder confirmou a inspiração em entrevistas, e a música ocupa posição similar a 'Man of the Hour' no catálogo: elegia que evita o vocabulário tradicional do luto.
A escolha central foi com 'We were but stones, your light made us stars'. A inversão é o argumento: a pessoa morta não é estrela porque era especial, é estrela porque iluminou os que estavam ao redor a ponto de transformá-los. 'Éramos só pedras, tua luz nos fez estrelas' preserva o gesto. 'But' em inglês é arcaísmo aqui ('but stones' = 'apenas pedras', forma quase bíblica), e 'só pedras' em português carrega registro similar.
'Every inch between us becomes light years now' é a virada matemática da letra. A distância física que existia em vida vira distância astronômica na morte. Traduzi como 'Cada centímetro entre nós vira anos-luz agora' usando 'centímetro' em vez de 'polegada' porque a unidade brasileira faz a hipérbole funcionar com o leitor que pensa em centímetros.
'No time to be void, or save up on life. You got to spend it all' é a moral explícita, raro em Vedder. Traduzi como 'Sem tempo pra ser vazio, ou economizar vida. Você tem que gastar tudo'. 'Save up' tem dupla leitura (poupar, salvar em sentido religioso) e 'economizar' preserva ambas. O verso fecha a música com convocação direta à urgência, dirigida tanto aos vivos quanto ao próprio narrador.
Em 28 de março de 2018 no Citibank Hall, 'Light Years' chegou no décimo oitavo slot do show como a elegia da era Binaural.
Em 11 de novembro de 2011 no Estádio Beira-Rio, 'Light Years' chegou no vigésimo primeiro slot do show como a faixa da era Binaural que a Pearl Jam Twenty Tour rotacionou em circulação quando a sequência late-set do show pediu movimento anthêmico sustentado. A letra da canção (frequentemente lida como elegia de Vedder para um amigo perdido jovem demais, com sujeitos variavelmente identificados nas redes de troca de fãs) ficou suspensa sobre a performance do mesmo modo que ficou ao longo das duas décadas de história ao vivo da canção. A resposta do público do Beira-Rio sustentou o peso emocional da canção.