'Insignificance' é a sétima faixa do Binaural (2000), o álbum que marcou a virada experimental mais explícita do Pearl Jam depois do período do No Code. A música é de Vedder; a letra também é de Vedder. A música foi escrita no fim dos anos 1990 e gravada durante as sessões do Binaural em Seattle no início de 2000, no período em que a banda estava trabalhando com o produtor Tchad Blake. As sessões do Binaural foram o único álbum do Pearl Jam não produzido por Brendan O'Brien entre 1993 e 2009. A música é portanto um dos poucos créditos de música solo de Vedder em um álbum do Pearl Jam.
A letra é uma das composições mais diretas de Vedder sobre a função da música durante a catástrofe. O narrador descreve a experiência de ouvir música em um momento de horror político em larga escala e descobrir que a música não salva nada, não muda nada, mas fornece uma pequena zona de significado que a catástrofe não consegue alcançar. Vedder discutiu a música em entrevistas promocionais de 2000 em torno do Binaural como uma música que ele vinha querendo escrever há anos e que finalmente chegou durante o momento político do fim da era Clinton que precedeu a gravação da música.
O arranjo é uma das peças mais pacientes do Binaural. O verso é construído sobre uma progressão de acordes lenta que não varia; o refrão se abre numa movimentação harmônica mais ampla que resolve pela ponte num solo de McCready. A bateria de Matt Cameron na gravação está entre as mais controladas de sua passagem pelo Pearl Jam. A música é estruturada pra peso emocional cumulativo em vez de pra alívio catártico.
Ao vivo, 'Insignificance' tem sido presença regular, embora não pesada, em setlists desde 2000. A música funciona melhor na segunda metade do set, onde seu peso pode aterrissar num público que foi aquecido o suficiente pra recebê-lo. O argumento específico da música sobre a música durante a crise se tornou mais legível pros públicos do Pearl Jam depois de 11 de setembro de 2001, quando a relação da banda com o próprio catálogo foi reconfigurada pelo clima político dos anos Bush. As apresentações subsequentes de 'Insignificance' carregaram portanto uma camada de significado que a música não tinha quando foi gravada pela primeira vez.
Música política sobre o efeito psicológico de viver sob ameaça de bombardeio. Letra de Vedder, escrita durante o final da guerra do Kosovo. O título dá a chave: o que a destruição faz com pessoas comuns é convertê-las em insignificância contábil.
A escolha tradutória central foi 'Excuses turn to carbon walls'. 'Carbon' aqui sugere tanto material físico (paredes de carvão, escuras) quanto cópia de carbono (papel-carbono usado pra duplicar documentos), e a leitura mais provável é que as desculpas se acumulam em registros indeléveis. 'Desculpas viram paredes de carbono' preserva ambas as leituras sem privilegiar uma.
'The full moon is dead skin' é uma das imagens mais escuras de Vedder. A lua, símbolo tradicional de beleza romântica, vira pele morta. 'A lua cheia é pele morta' devolve o gesto antibalada. 'The one down here's wearing thin' (a lua daqui de baixo, ou seja, a pele humana, está rareando) virou 'A daqui de baixo está rareando'. 'Wearing thin' é polissemia: roupa gasta, paciência esgotada, película que afina.
'Set up the ten pins, as the human tide rolls in' é a virada satírica. O boliche como metáfora pra civis derrubados por ondas de violência. 'Então monta os dez pinos, conforme a maré humana rola' preserva o gesto cínico. O fechamento, 'In our insignificance', é a moral declarada. Vedder está dizendo que as bombas não pedem perdão à cidade natal por causa da insignificância dela.
Em 31 de março de 2013 no Jockey Club, 'Insignificance' chegou no décimo segundo slot do show como um dos deep cuts da era Binaural que a banda rotacionou em circulação ao longo do catálogo de turnê da era Lightning Bolt. A letra da música (frequentemente lida como reflexão sobre vida civil em tempo de guerra, escrita conforme o contexto da Guerra do Iraque começava a dominar o discurso americano em 2000) carregou seu peso em camadas pra apresentação de 2013. A estrutura compacta de menos de quatro minutos serviu à função de cadência do slot: uma peça propulsiva da era Binaural que manteve o andamento de meio de set do show.