Música escrita por Vedder e Jeff Ament, letra de Vedder. A canção é uma das peças mais cinematográficas do Binaural, retrato de um homem comum que descobre tarde demais que a vida dele foi um truque de mágica que ele não percebeu enquanto durava.
A escolha tradutória central foi 'sleight of hand'. A expressão é jargão de mágica de palco: prestidigitação, ilusionismo manual. Em português, 'truque de mão' não é expressão idiomática estabelecida, mas é compreensível e preserva a imagem física (mão que engana o olho). 'Prestidigitação' seria mais correto tecnicamente mas estrangeiro demais ao tom coloquial da letra. Mantive 'truque de mão' como tradução estável ao longo da canção.
'He'd wake up, wash and pour himself into uniform' é a abertura mais sombria da música. 'Pour himself into uniform' (despejar-se em uniforme) trata o corpo como líquido que assume a forma do recipiente. 'Acordava, se lavava e se despejava em uniforme' preserva a metáfora líquida que faz o homem perder identidade ao vestir o trabalho.
'Mondays were made to fall, lost on a road he knew by heart' tem 'made to fall' como construção dupla: feitas pra cair (estavam destinadas) e fabricadas pra cair (foram desenhadas assim). 'Segundas-feiras eram feitas pra cair, perdidas numa estrada que ele sabia de cor' preserva a ambiguidade da causa.
'When he reached the shore of his clip-on world' usa 'clip-on' (de encaixe, modular, descartável) como adjetivo, sugerindo mundo prefabricado que se prende e desprende. 'Mundo de clipe' devolve a imagem de algo montado por componentes, embora a expressão fixe a estranheza do original em português. O fechamento, 'Time to dream, to himself he waved', mostra o homem acenando pra si mesmo antes de adormecer.